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Autora: Laís dos Santos Silva Gaspar – Coordenadora do Complexo Cirúrgico e Materno da Santa Casa de Santos

Pare, retire seus adornos! Entenda os riscos dos acessórios no centro cirúrgico

Durante todo e qualquer procedimento cirúrgico, ou estadia em complexo cirúrgico, a utilização de anéis, alianças, relógios ou pulseiras, pode comprometer a higienização correta das mãos e antebraços, favorecendo a permanência de microrganismos prejudiciais à segurança de cada paciente.

O centro cirúrgico é um ambiente crítico e que exige um cuidado rigoroso com a higiene e prevenção de infecções. Retirar por completo os adornos é uma atitude simples, mas que é fundamental para garantir a segurança de todos os pacientes e também profissionais que fazem parte do sistema. 

Em novembro de 2005, através da Portaria divulgada pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, a NR-32 surgiu, e nesta determinação, foram estabelecidas diversas diretrizes que impactam no dia a dia dos profissionais de saúde. Dentre elas, locada na alínea b, em seu item 32.2.4.5, a norma regulamentadora determina que “[...] o empregador deve vedar o uso de adornos nos postos de trabalho”.

A orientação se aplica aos profissionais, colaboradores, residentes e estudantes que prestam assistência aos pacientes ou que mantêm contato com materiais biológicos durante as atividades assistenciais.

No ecossistema do Centro Cirúrgico, a utilização de adornos ainda é uma problemática que está relacionada diretamente a higienização correta das mãos e dos antebraços, o uso de acessórios, os mais diversos, prejudica o acesso às áreas da pele comprometendo a eficácia do procedimento.

Vale destacar que a lavagem correta das mãos é uma das principais medidas de prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde. Um estudo publicado na revista científica Clinical Infectious Diseases, identificou que profissionais de saúde que utilizavam anéis apresentavam uma contagem mediana de microrganismos na pele dez vezes maior em comparação com aqueles que não usavam esses acessórios. A importância desses cuidados é reforçada pela Organização Mundial da Saúde, que aponta que até 70% das infecções associadas à assistência à saúde podem ser prevenidas com a adoção de boas práticas de higiene das mãos e outras medidas eficazes de prevenção e controle de infecções.

As ranhuras, texturas e superfícies dos acessórios podem favorecer o acúmulo de suor, secreções e outros resíduos, criando condições para a permanência de microrganismos. Entre os agentes, estão bactérias como Staphylococcus aureus e bacilos gram-negativos, que podem representar riscos no ambiente hospitalar.

Além de anéis, alianças, relógios e pulseiras, outros itens também exigem atenção no ambiente cirúrgico, como brincos, piercings, colares, porta-crachás, blusas por baixo da roupa privativa e mochilas ou bolsas. Esses objetos podem favorecer o transporte de microrganismos entre diferentes ambientes, dificultar a manutenção da higiene e, dependendo de suas características, entrar em contato com superfícies, equipamentos ou áreas próximas ao campo cirúrgico. 

As roupas utilizadas sob a vestimenta privativa e os pertences pessoais também podem contribuir para a contaminação cruzada quando não há controle adequado de seu uso e circulação. Por isso, é fundamental respeitar os protocolos institucionais de paramentação, armazenamento de objetos pessoais e restrição de acessórios, garantindo que todos os itens utilizados no complexo cirúrgico estejam de acordo com as normas de segurança e prevenção de infecções.

Diante desses riscos, a retirada dos adornos antes de entrar no centro cirúrgico e iniciar as atividades assistenciais deve ser compreendida como uma medida indispensável de segurança. Mais do que cumprir uma norma, essa atitude contribui para a prevenção de contaminações e para a qualidade da assistência prestada. 

No centro cirúrgico, cada detalhe importa. Deixar os adornos de lado é uma medida simples que reforça o compromisso com a segurança, a prevenção de infecções e a proteção dos pacientes.

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